CASO #0011 · ABERTO EM 1 DE NOV. · ATUALIZADO HÁ 3 DIAS

Os dois Dan Sullivan: o que se sabe sobre o suposto candidato-isca na eleição para o Senado no Alasca

Segundo o New York Times, aliados de Peltola recrutaram um xará para tirar votos do senador. Os envolvidos negam, há investigações em curso e ninguém foi acusado formalmente.

Quadro de evidências

  • ContestadoOperadores ligados a Mary Peltola recrutaram Daniel J. Sullivan Jr. para concorrer, com o objetivo de confundir eleitores e tirar votos do senador Dan S. Sullivan.2 / 2 fontes

    Os dois textos repercutem uma reportagem do New York Times com essa acusação, mas as provas em si não aparecem nas fontes analisadas. A campanha de Peltola e Daniel J. Sullivan negam qualquer articulação. Em junho, a divisão eleitoral do estado concluiu que a candidatura tinha o propósito de confundir ou enganar, mas a Justiça derrubou a decisão sem se pronunciar sobre as motivações dele. As investigações seguem e ninguém foi acusado.

  • ContestadoMary Peltola sabia pessoalmente do esforço para recrutar um segundo Dan Sullivan.2 / 2 fontes

    Segundo o ZeroHedge, a ex-coordenadora de campanha Elisa Rios, demitida por Peltola, disse ao Times que a candidata estava 'definitivamente ciente'. Mas Rios, que processa Peltola por demissão injusta, retirou todas as declarações antes da publicação. Peltola negou publicamente em 29 de outubro saber de qualquer coisa.

  • InconclusivoUm caminho específico do dinheiro bancou o segundo Sullivan: US$ 87 mil do 49th State PAC para um consultor de Ohio e US$ 1,15 milhão gastos pelo super PAC Right for Alaska, dos quais US$ 990 mil vieram do Sixteen Thirty Fund.1 / 2 fontes

    Esses valores aparecem apenas na coluna de Kunstler, aparentemente tirados da reportagem do Times, que não está entre os textos analisados. O FactCheck.org não os menciona. A ligação com George Soros é uma caracterização do próprio autor, sem prova apresentada.

  • VerdadeiroO Departamento de Justiça entrou com uma ação preventiva pedindo que o Alasca não certifique um resultado possivelmente afetado pela confusão dos eleitores.2 / 2 fontes

    As duas fontes noticiam a ação. O FactCheck.org diz que ela foi protocolada em 22 de outubro, a pedido de Trump, e valeria caso o senador perca por uma margem menor que os votos de Daniel J. Sullivan. O ZeroHedge fala em 23 de outubro.

  • VerdadeiroO governador Mike Dunleavy determinou uma investigação criminal estadual sobre o caso.2 / 2 fontes

    Os dois veículos informam que Dunleavy ordenou a apuração um dia após a reportagem do Times. O ZeroHedge especifica que o caso ficou com a Alaska Bureau of Investigation.

  • InconclusivoUm grande júri federal foi instalado em agosto, e os promotores já emitiram de 30 a 40 intimações.1 / 2 fontes

    Só a coluna de Kunstler afirma isso, sem citar fonte. O FactCheck.org não menciona grande júri. Ambos concordam que ninguém foi acusado.

  • Sem evidênciasO esquema é 'fraude eleitoral no mais alto nível', e Peltola deveria ser processada criminalmente.2 / 2 fontes

    A afirmação é de Trump, mas não há acusação formal nem investigação concluída. A Justiça decidiu que a lei do Alasca não exige 'boa-fé' dos candidatos. Ainda não se testou se recrutar um candidato homônimo viola alguma lei.

  • FalsoÉ um mistério como Daniel J. Sullivan conseguiu entrar na cédula.2 / 2 fontes

    A fundamentação é pública. Um juiz de primeira instância concluiu que a divisão eleitoral usou um critério de 'boa-fé' que não existe em nenhuma lei ou regulamento. A Suprema Corte do Alasca confirmou a decisão e classificou a exclusão como uma medida extrema.

Análise

A cédula do Alasca para o Senado americano traz este ano dois homens chamados Dan Sullivan. Um é o senador republicano Dan S. Sullivan, que tenta a reeleição. O outro é Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado de Petersburg. Desde maio, os republicanos sustentam que o segundo Sullivan é uma isca para tirar votos do senador e entregar a vitória à democrata Mary Peltola. Uma reportagem do New York Times publicada em 28 de outubro deu força à acusação, e em poucos dias o Departamento de Justiça, o governador do Alasca e o presidente Donald Trump entraram na história. Comparamos um explicador detalhado do FactCheck.org com uma coluna de opinião de James Howard Kunstler republicada pelo ZeroHedge.

O que está sendo afirmado

A acusação principal vem do Times, repercutido pelos dois veículos: operadores ligados a Peltola teriam ajudado a recrutar Daniel J. Sullivan para drenar votos do titular. A coluna de Kunstler vai bem além. Ela descreve um "projeto de composição de cédula" com participação do comitê de campanha dos democratas no Senado (DSCC) e do escritório de Marc Elias. Também cita pagamentos específicos, como US$ 87 mil de um PAC pró-Peltola a um consultor de Ohio contratado para achar um Dan Sullivan disposto a concorrer e US$ 990 mil repassados pelo Sixteen Thirty Fund a um super PAC que o apoia. Segundo a coluna, a ex-coordenadora de campanha de Peltola disse ao Times que a candidata estava "definitivamente ciente". Trump chamou o caso de "fraude eleitoral no mais alto nível" e defendeu que Peltola seja processada. O Departamento de Justiça pediu na Justiça que o resultado não seja certificado se o senador perder por uma margem menor que os votos do xará.

O que as evidências mostram

O histórico judicial está bem documentado. Em 15 de junho, a diretora eleitoral do estado, Carol Beecher, concluiu que a candidatura de Daniel J. Sullivan não era de boa-fé e tinha o propósito de "confundir ou enganar". Ela observou que não havia registro de filiação dele ao Partido Republicano até dois dias antes da inscrição. Em 27 de junho, um juiz de primeira instância derrubou a decisão, por entender que nenhuma Constituição, lei ou regulamento exige boa-fé dos candidatos. A Suprema Corte estadual confirmou. Os tribunais não atestaram que a candidatura era genuína. Decidiram apenas que o estado não tinha base legal para excluí-lo por causa de suas intenções. Kunstler chama o desfecho de "mistério", mas a fundamentação é pública. Daniel J. Sullivan teve 2,47% na primária de agosto e avançou para a eleição geral.

A acusação de recrutamento depende da reportagem do Times, que não está entre nossas fontes. Os documentos do jornal não aparecem em nenhum dos dois textos. O rastro do dinheiro só consta da coluna de Kunstler, e não conseguimos confrontá-lo com o Times. A ligação com George Soros é uma leitura do próprio autor.

Sobre o papel pessoal de Peltola, as evidências apontam em direções opostas. Segundo o ZeroHedge, a ex-coordenadora Elisa Rios processa Peltola por demissão injusta e retirou todas as declarações antes da publicação. Peltola afirmou em 29 de outubro: "Eu não sabia nada sobre outros candidatos na cédula além de mim e do titular." Daniel J. Sullivan escreveu em junho que nunca conversou com a campanha de Peltola.

Ninguém foi acusado formalmente. O governador Mike Dunleavy mandou abrir uma investigação criminal estadual em 29 de outubro. Kunstler diz que um grande júri federal já emitiu de 30 a 40 intimações, mas o FactCheck.org não menciona isso. Os dois veículos também divergem em detalhes. Um data a ação do Departamento de Justiça em 22 de outubro, o outro em 23. O ZeroHedge diz que Daniel J. Sullivan se inscreveu sem partido, mas os documentos citados pelo FactCheck.org mostram que ele pediu para aparecer como republicano.

Como os veículos cobriram

O FactCheck.org adotou uma linha cronológica. Ouviu os dois Sullivan, Peltola e autoridades estaduais, e classificou a ação preventiva do Departamento de Justiça como "incomum". O ZeroHedge publicou um texto panfletário que trata o esquema como fato comprovado. A coluna acusa o Times de amenizar a história e liga o caso ao dossiê Steele, a Elias e a Soros. Ela termina com um apelo partidário, embora uma nota da redação registre as negativas.

O que ainda não sabemos

  • Que provas o Times tem em mãos, e se a campanha de Peltola participou ou apenas grupos externos.
  • Se Daniel J. Sullivan sabia que estava sendo recrutado por razões estratégicas.
  • Se alguma lei estadual ou federal foi violada, e o que as investigações federal e estadual vão concluir.
  • Por que Rios voltou atrás.
  • Como a Justiça vai tratar o pedido para segurar a certificação se a disputa for apertada.

Fontes

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