Análise
A cédula do Alasca para o Senado americano traz este ano dois homens chamados Dan Sullivan. Um é o senador republicano Dan S. Sullivan, que tenta a reeleição. O outro é Daniel J. Sullivan Jr., professor aposentado de Petersburg. Desde maio, os republicanos sustentam que o segundo Sullivan é uma isca para tirar votos do senador e entregar a vitória à democrata Mary Peltola. Uma reportagem do New York Times publicada em 28 de outubro deu força à acusação, e em poucos dias o Departamento de Justiça, o governador do Alasca e o presidente Donald Trump entraram na história. Comparamos um explicador detalhado do FactCheck.org com uma coluna de opinião de James Howard Kunstler republicada pelo ZeroHedge.
O que está sendo afirmado
A acusação principal vem do Times, repercutido pelos dois veículos: operadores ligados a Peltola teriam ajudado a recrutar Daniel J. Sullivan para drenar votos do titular. A coluna de Kunstler vai bem além. Ela descreve um "projeto de composição de cédula" com participação do comitê de campanha dos democratas no Senado (DSCC) e do escritório de Marc Elias. Também cita pagamentos específicos, como US$ 87 mil de um PAC pró-Peltola a um consultor de Ohio contratado para achar um Dan Sullivan disposto a concorrer e US$ 990 mil repassados pelo Sixteen Thirty Fund a um super PAC que o apoia. Segundo a coluna, a ex-coordenadora de campanha de Peltola disse ao Times que a candidata estava "definitivamente ciente". Trump chamou o caso de "fraude eleitoral no mais alto nível" e defendeu que Peltola seja processada. O Departamento de Justiça pediu na Justiça que o resultado não seja certificado se o senador perder por uma margem menor que os votos do xará.
O que as evidências mostram
O histórico judicial está bem documentado. Em 15 de junho, a diretora eleitoral do estado, Carol Beecher, concluiu que a candidatura de Daniel J. Sullivan não era de boa-fé e tinha o propósito de "confundir ou enganar". Ela observou que não havia registro de filiação dele ao Partido Republicano até dois dias antes da inscrição. Em 27 de junho, um juiz de primeira instância derrubou a decisão, por entender que nenhuma Constituição, lei ou regulamento exige boa-fé dos candidatos. A Suprema Corte estadual confirmou. Os tribunais não atestaram que a candidatura era genuína. Decidiram apenas que o estado não tinha base legal para excluí-lo por causa de suas intenções. Kunstler chama o desfecho de "mistério", mas a fundamentação é pública. Daniel J. Sullivan teve 2,47% na primária de agosto e avançou para a eleição geral.
A acusação de recrutamento depende da reportagem do Times, que não está entre nossas fontes. Os documentos do jornal não aparecem em nenhum dos dois textos. O rastro do dinheiro só consta da coluna de Kunstler, e não conseguimos confrontá-lo com o Times. A ligação com George Soros é uma leitura do próprio autor.
Sobre o papel pessoal de Peltola, as evidências apontam em direções opostas. Segundo o ZeroHedge, a ex-coordenadora Elisa Rios processa Peltola por demissão injusta e retirou todas as declarações antes da publicação. Peltola afirmou em 29 de outubro: "Eu não sabia nada sobre outros candidatos na cédula além de mim e do titular." Daniel J. Sullivan escreveu em junho que nunca conversou com a campanha de Peltola.
Ninguém foi acusado formalmente. O governador Mike Dunleavy mandou abrir uma investigação criminal estadual em 29 de outubro. Kunstler diz que um grande júri federal já emitiu de 30 a 40 intimações, mas o FactCheck.org não menciona isso. Os dois veículos também divergem em detalhes. Um data a ação do Departamento de Justiça em 22 de outubro, o outro em 23. O ZeroHedge diz que Daniel J. Sullivan se inscreveu sem partido, mas os documentos citados pelo FactCheck.org mostram que ele pediu para aparecer como republicano.
Como os veículos cobriram
O FactCheck.org adotou uma linha cronológica. Ouviu os dois Sullivan, Peltola e autoridades estaduais, e classificou a ação preventiva do Departamento de Justiça como "incomum". O ZeroHedge publicou um texto panfletário que trata o esquema como fato comprovado. A coluna acusa o Times de amenizar a história e liga o caso ao dossiê Steele, a Elias e a Soros. Ela termina com um apelo partidário, embora uma nota da redação registre as negativas.
O que ainda não sabemos
- Que provas o Times tem em mãos, e se a campanha de Peltola participou ou apenas grupos externos.
- Se Daniel J. Sullivan sabia que estava sendo recrutado por razões estratégicas.
- Se alguma lei estadual ou federal foi violada, e o que as investigações federal e estadual vão concluir.
- Por que Rios voltou atrás.
- Como a Justiça vai tratar o pedido para segurar a certificação se a disputa for apertada.
Fontes
- ChecagemExplaining the Case of the Two Dan Sullivans on Alaska’s BallotFactCheck.orgExplicador neutro, centrado no histórico judicial e nas falas dos dois lados
- AlternativaKunstler: The 'Two Dan Sullivans' Case Exposes How 'Filthy' Democratic Party Tactics Are...ZeroHedgeColuna de opinião partidária que trata o esquema como armação democrata comprovada
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