CASO #0035 · ABERTO EM 5 DE NOV. · ATUALIZADO HÁ 3 H · ENCERRADO

Vídeo de urna eletrônica 'votando sozinha' é de 2014, e não do segundo turno de 2026

Duas agências de checagem rastrearam o vídeo viral até uma urna com defeito em Torres (RS) no segundo turno de 2014, que foi substituída sem registro de votos indevidos.

Quadro de evidências

  • FalsoUm vídeo mostra uma urna eletrônica adicionando votos sozinha, em uma seção vazia, durante a prorrogação da votação do segundo turno de outubro de 2026.3 / 3 fontes

    As duas agências concluíram que as imagens são do segundo turno de 2014, e não de 2026. Uma busca reversa achou o mesmo vídeo no YouTube em 28 de outubro de 2014. A Justiça Eleitoral informou que a urna emitia o sinal sonoro, mas sem registrar votos. O Estadão classifica a postagem como 'enganosa'; o E-farsas diz que o vídeo é real, mas a alegação de fraude é falsa.

  • VerdadeiroO vídeo foi gravado em 2014, na seção 2 da 85ª Zona Eleitoral, em Torres (RS), onde a urna travou e foi substituída.2 / 3 fontes

    Os dois veículos citam documentos da Justiça Eleitoral e a publicação antiga no YouTube. A zerésima não mostrava votos, e o boletim de urna registrou 310 eleitores. Segundo o Estadão, o PSDB auditou os documentos na época e não encontrou evidências de fraude.

  • FalsoUma urna eletrônica brasileira consegue registrar votos sozinha, sem identificação do eleitor e liberação pelos mesários.2 / 3 fontes

    As duas checagens descrevem as etapas obrigatórias: identificação do eleitor, habilitação pelo mesário e digitação do número do candidato. O E-farsas acrescenta que a urna não está ligada a nenhuma rede externa. Trata-se da descrição do procedimento feita pelas agências; os textos não trazem uma auditoria técnica independente.

  • FalsoA prorrogação de duas horas da votação em 25 de outubro de 2026 teria servido para fraudar o resultado do segundo turno.2 / 3 fontes

    O Estadão relata que as campanhas dos dois candidatos pediram a prorrogação ao TSE. Cerca de 34 mil votos foram computados após as 17h em todo o país, diante de uma diferença de 4,4 milhões (64,2 milhões para Lula, 59,8 milhões para Flávio Bolsonaro). Pela nossa conta, os votos tardios são pouquíssimos para alterar o resultado. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a eleição transcorreu com normalidade, e o partido de Flávio reconheceu a vitória de Lula.

Análise

Um vídeo curto de uma cabine vazia, com uma urna eletrônica apitando como se registrasse votos por conta própria, circulou bastante no Brasil entre o fim de outubro e o início de novembro de 2026. As legendas o apresentavam como prova de que o segundo turno da eleição presidencial foi fraudado. Duas agências de checagem, o E-farsas e o Estadão Verifica, rastrearam as imagens até 2014.

O que está sendo afirmado

As postagens dizem que o vídeo foi gravado depois das 17h, durante as duas horas extras de votação de 25 de outubro de 2026, e que a urna adicionava votos para um dos candidatos à Presidência sem ninguém por perto. O conteúdo é tratado como prova direta de fraude eleitoral. Segundo o Estadão, o vídeo também alimentou uma narrativa mais ampla de que a prorrogação do horário mudou o resultado.

O que as evidências mostram

O vídeo é antigo. O Estadão fez uma busca reversa e encontrou as mesmas imagens no YouTube em 28 de outubro de 2014, quase doze anos antes do segundo turno de 2026. Os dois veículos situam o episódio em 26 de outubro de 2014, na seção 2 da 85ª Zona Eleitoral, em Torres (RS).

A urna estava com defeito, não votando. Segundo o E-farsas, com base em documentos do TSE, a presidente da seção avisou por volta do meio-dia que a urna estava travada. Uma técnica confirmou que o equipamento estava inoperante e o substituiu, e a votação continuou. O Estadão acrescenta que a zerésima mostrava que não havia votos na urna antes da votação. O boletim de urna registrou 310 eleitores, com 187 votos para Aécio Neves, 108 para Dilma Rousseff, sete brancos e oito nulos. O Estadão também afirma que o PSDB analisou a zerésima, o boletim e a ata da seção em 2014 e não encontrou evidências de fraude.

A urna não 'vota sozinha' por construção. Os dois textos descrevem as etapas exigidas antes de um voto ser gravado: identificação do eleitor, liberação pelo mesário e, só então, a digitação do número do candidato. O E-farsas acrescenta que a urna não está ligada a nenhuma rede externa e argumenta que um eventual invasor não escolheria um sinal sonoro tão chamativo. Esse último ponto é raciocínio do veículo, não um teste técnico. O procedimento é descrito pelas agências; nenhum dos textos relata uma auditoria técnica independente do equipamento.

A prorrogação não decidiu a eleição. O Estadão informa que as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro pediram ao TSE as duas horas extras. Cerca de 34 mil votos foram computados após as 17h em todo o país. Lula venceu com 64,2 milhões de votos contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 4,4 milhões. Pela aritmética, os votos tardios são pouquíssimos para virar esse resultado. O texto lembra que, embora Flávio Bolsonaro tenha questionado o resultado, o partido dele reconheceu a vitória de Lula.

Como os veículos cobriram

Os dois veículos são agências de checagem e chegam à mesma conclusão, com enquadramentos um pouco diferentes. O E-farsas diz que o vídeo é real, mas que a alegação de fraude é falsa; destaca a data de 2014 e a troca da urna e traz um resumo em vídeo. O Estadão Verifica classifica a postagem como 'enganosa' e vai mais fundo nos documentos: zerésima, boletim de urna, a antiga auditoria do PSDB e os números de 2026. Também lista outras checagens relacionadas e cita verificações da Aos Fatos e da AFP. Há uma diferença menor: o E-farsas diz que a prorrogação foi 'dada pelo STF', enquanto o Estadão afirma que o TSE a concedeu a pedido das duas campanhas. Ficamos com o relato mais detalhado do Estadão. O terceiro item do conjunto é uma agregação do Google News com o texto do E-farsas, sem reportagem própria. Não havia veículos tradicionais nem favoráveis à tese de fraude no nosso material, então não dá para comparar como eles trataram o vídeo.

O que ainda não sabemos

Os textos não dizem quem foi o primeiro a publicar o vídeo com a legenda de 2026, nem se houve reaproveitamento deliberado ou compartilhamento de boa-fé. Também não temos acesso direto aos documentos do TSE; nos baseamos na descrição das agências. As alegações mais amplas sobre o segundo turno de 2026, incluindo o resultado contestado, aparecem aqui só de passagem, e as checagens relacionadas que o Estadão indica são o próximo passo para quem quiser se aprofundar.

Fontes

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