CASO #0028 · ABERTO EM 5 DE NOV. · ATUALIZADO HÁ 3 H · ENCERRADO

Falso 'relatório pericial independente' distorce dados do TSE para alegar fraude no 2º turno de 2026

Documento com mais de 712 mil visualizações no X diz que a prorrogação da votação mudou o 2º turno; os dados do TSE citados pela Lupa mostram o contrário.

Quadro de evidências

  • FalsoCerca de 1,8 a 2,5 milhões de votos irregulares foram registrados durante as duas horas de prorrogação da votação, até as 19h.2 / 2 fontes

    A Agência Lupa cita dados do TSE segundo os quais apenas 34.393 votos foram registrados após as 17h, cerca de 0,027% do total, muito abaixo dos 2,5 milhões alegados. A Lupa também informa que a urna continuar recebendo votos depois das 17h só indica que ainda havia eleitores na fila, não que alguém esteja inserindo votos extras.

  • FalsoSe fossem considerados apenas os votos computados até as 17h, Flávio Bolsonaro venceria o 2º turno.2 / 2 fontes

    Segundo a Lupa, os votos registrados após as 17h (34.393) são insuficientes para anular a vantagem de 4,43 milhões de votos de Lula sobre Flávio Bolsonaro.

  • FalsoEm São Paulo, as 1.571 seções que cruzaram as 19h deram 57,46% a Lula, contrariando o restante do estado.1 / 2 fontes

    O TSE informou à Lupa que não é possível identificar em quem votaram os eleitores que compareceram após as 17h. Os dados dos boletins de urna (BU) que o documento diz ter usado só trazem o total de cada candidato no dia inteiro, então o percentual não pode ser calculado a partir deles.

  • FalsoEleitores habilitados sem biometria (liberação pelo mesário com digitação do ano de nascimento) são uma vulnerabilidade material que permite votos irregulares.1 / 2 fontes

    A Lupa afirma que habilitar o eleitor sem biometria não significa voto irregular. Segundo o TSE, o eleitor precisa estar presente e apresentar documento com foto, e o ano de nascimento deve coincidir com o cadastro eleitoral. A operação fica registrada no log da urna e pode ser auditada, e o mesário não pode votar pelo eleitor.

  • InconclusivoOs dados de 2026 mostram anomalias extremas: seções quase unânimes concentradas em áreas rurais.1 / 2 fontes

    O texto da Lupa a que tivemos acesso termina logo após essa alegação, então não é possível ver como ela foi verificada. Não dá para avaliá-la com o material fornecido.

Análise

Um documento intitulado "Relatório Pericial Independente — Eleições 2026" circula no Instagram e no X, onde uma das versões passou de 712 mil visualizações. Ele afirma que dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam fraude no 2º turno da eleição presidencial de 2026. A Agência Lupa verificou o material e classificou suas principais alegações como falsas.

O que está sendo afirmado

Segundo a Lupa, o documento faz várias alegações:

  • Se fossem considerados apenas os votos computados até as 17h, Flávio Bolsonaro (PL) venceria.
  • Entre 1,8 e 2,5 milhões de votos "irregulares" teriam sido registrados na "prorrogação" da votação até as 19h.
  • Em São Paulo, 1.571 seções ainda abertas às 19h deram 57,46% a Lula, ao contrário do restante do estado.
  • Eleitores liberados pelo mesário sem biometria, com a digitação do ano de nascimento, seriam a maior vulnerabilidade material do processo.
  • Os dados de 2026 mostrariam seções quase unânimes concentradas em áreas rurais.

O documento é anônimo. A Lupa o chama de apócrifo, e nada no material analisado identifica quem o escreveu ou qual entidade "independente" estaria por trás dele.

O que as evidências mostram

A prorrogação. A Lupa informa que as duas horas extras de votação foram determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, sorteado relator da ação. Com base em dados do TSE, afirma que apenas 34.393 votos foram registrados após as 17h, cerca de 0,027% do total. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro foi de 4,43 milhões de votos, de modo que esse número não altera o resultado. A alegação de 2,5 milhões de votos na prorrogação é, portanto, contradita pelos mesmos dados públicos que o documento cita.

O percentual de São Paulo. O TSE disse à Lupa que é impossível saber em quem votaram os eleitores que compareceram após as 17h. O arquivo CSV com os dados dos boletins de urna (BU), fonte que o documento diz usar, traz apenas o total de cada candidato no dia inteiro. Um número como 57,46% para as seções que fecharam mais tarde não sai desse arquivo.

Biometria. A Lupa explica que votar sem validação biométrica não é voto irregular. O eleitor precisa estar presente e apresentar documento oficial com foto, e o mesário só libera a urna se o ano de nascimento informado pelo eleitor bater com o cadastro. O TSE diz que o ano de nascimento não consta no caderno de votação, portanto o mesário não o tem à mão. A operação e a identificação de quem liberou o eleitor ficam registradas no log da urna e podem ser auditadas. Votar ou tentar votar no lugar de outra pessoa é crime, com pena de até três anos de reclusão pelo artigo 309 do Código Eleitoral. O TSE lembra ainda que o Registro Digital do Voto (RDV), adotado desde 2004, permite a recontagem sem quebrar o sigilo.

Seções rurais. O texto da Lupa a que tivemos acesso termina antes de tratar dessa alegação, então não a classificamos.

Como os veículos cobriram

A Agência Lupa, agência de checagem, faz a análise detalhada. Ela reproduz trechos do documento e responde a cada um com dados e explicações do TSE. Diz ainda que leitores enviaram o conteúdo para verificação por WhatsApp.

A TV Sim Brasil publicou manchete que chega à mesma conclusão: chama o relatório de falso e diz que ele usa dados do TSE para alegar fraude. Só tivemos acesso ao título, então não dá para dizer mais sobre a apuração do veículo.

Os dois veículos concordam no veredito. Não encontramos, neste conjunto, nenhum veículo que defenda o documento, e não vimos o documento em si, apenas os trechos citados pela Lupa.

O que ainda não sabemos

  • Quem escreveu o documento e quem o espalhou primeiro.
  • Como a Lupa avaliou a alegação sobre as seções rurais, já que o texto está cortado.
  • Os detalhes da ação em que Zanin foi sorteado relator e determinou a prorrogação. O trecho da Lupa a menciona, mas não a descreve.
  • Se houve pedido de auditoria ou recontagem oficial. Nenhuma das fontes cita isso.

O que as evidências disponíveis mostram é que os principais números do documento não batem com os dados públicos do TSE, e que suas alegações sobre a habilitação sem biometria ignoram as salvaguardas descritas pelo tribunal.

Fontes

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